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Custo não existe para ser calculado, existe para ser reduzido: os sete desperdícios de Ohno aplicados a empresas de serviços B2B

Lean parece coisa de fábrica de automóveis. Mas os desperdícios que Taiichi Ohno descreveu na Toyota aparecem todos os dias em escritórios brasileiros: propostas refeitas, aprovações paradas, relatórios que ninguém lê, retrabalho na implantação.

Por Leandro Novis · C-Advisor

Os custos não existem para ser calculados. Os custos existem para ser reduzidos.

Taiichi Ohnofrase atribuída ao criador do Sistema Toyota de Produção

O homem por trás do Sistema Toyota

Taiichi Ohno foi o engenheiro que, ao longo de décadas na Toyota, desenvolveu o sistema de produção que inspirou o movimento lean no mundo todo. Em seu livro sobre o Sistema Toyota de Produção, ele descreve uma obsessão: eliminar tudo o que consome recursos sem acrescentar valor para o cliente.

Ohno insistia que a maior parte do tempo nas operações não é trabalho que agrega valor. É espera, movimento desnecessário, correção de erros. Reduzir isso aumenta a capacidade sem contratar e sem investir em equipamentos.

Antes de contratar mais gente, pergunte quanto do trabalho atual é desperdício.

Os sete desperdícios fora da fábrica

01

Superprodução. Fazer mais do que o necessário ou antes da hora: relatórios que ninguém pediu, propostas detalhadas para oportunidades não qualificadas.

02

Espera. Documentos parados aguardando aprovação, cliente esperando retorno, projeto parado por falta de informação.

03

Transporte. Informação passando por muitas mãos e sistemas: e-mails encaminhados, planilhas copiadas, dados redigitados.

04

Processamento excessivo. Mais etapas ou detalhes do que o cliente valoriza: aprovações em cascata, formatação excessiva, controles redundantes.

05

Estoque. Trabalho acumulado e não concluído: propostas pela metade, chamados abertos, projetos iniciados e parados.

06

Movimento. Esforço desnecessário de pessoas: procurar arquivos, alternar entre sistemas, buscar informações dispersas.

07

Defeitos. Erros que exigem retrabalho: proposta com preço errado, implantação refeita, fatura corrigida.

Ferramentas de Ohno para o escritório

01

Os cinco porquês

Ohno ensinava a perguntar por que repetidamente até chegar à causa raiz de um problema, em vez de tratar o sintoma.

  • Comece pelo problema observado
  • Pergunte por que ele aconteceu, e repita para cada resposta
  • Pare quando chegar a algo que pode ser corrigido no processo
Uso típicoRetrabalho recorrente
BenefícioCorreção definitiva
Erro comumParar no primeiro porquê e culpar alguém
02

Ir ao local

Ohno defendia que gestores fossem ao lugar onde o trabalho acontece, em vez de decidir por relatórios.

  • Acompanhe o processo real, do início ao fim
  • Observe esperas, retrabalhos e improvisos
  • Converse com quem executa
Uso típicoEntender gargalos
BenefícioDiagnóstico realista
Erro comumRedesenhar processo só pelo fluxograma
03

Fluxo e puxada

Na Toyota, a produção era puxada pela demanda real. No escritório, isso significa limitar o trabalho em andamento e terminar antes de começar algo novo.

  • Limite o número de projetos simultâneos
  • Termine o que está aberto antes de iniciar novas frentes
  • Torne visível o trabalho em andamento
Uso típicoEquipes sobrecarregadas
BenefícioEntregas mais rápidas
Erro comumIniciar tudo ao mesmo tempo

Por que isso importa no Brasil

Com custo de capital alto e mão de obra qualificada cara, cada hora desperdiçada pesa mais. Empresas médias brasileiras costumam ter processos administrativos que cresceram por acúmulo, sem desenho. Antes de automatizar esses processos com IA, vale aplicar o olhar de Ohno: muitas etapas não precisam ser automatizadas, precisam ser eliminadas.

Um mutirão de desperdícios em um mês

  1. Escolha um processo crítico. Da proposta à implantação, por exemplo.
  2. Acompanhe o processo real. Do início ao fim, com quem executa.
  3. Marque os sete desperdícios. Com estimativa de tempo de cada um.
  4. Use os cinco porquês nos três maiores. Até a causa raiz.
  5. Elimine antes de automatizar. E meça o tempo total antes e depois.

Conclusão: eficiência começa por enxergar

O legado de Ohno vai muito além da fábrica. A ideia de que a maior parte do esforço de uma organização não gera valor vale para qualquer empresa. Para negócios brasileiros pressionados por custo, aprender a enxergar os sete desperdícios é uma forma de ganhar capacidade sem gastar mais.

LN
Leandro Novis
CEO — C-Advisor
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