Covey conta a história de um lenhador que trabalha há horas com um serrote cada vez mais cego. Alguém sugere que ele pare para afiar. Ele responde que não tem tempo: está ocupado demais serrando. Muitos donos de empresas médias brasileiras vivem exatamente essa cena.
Por Leandro Novis · C-Advisor
Afinar o instrumento significa preservar e aprimorar o maior bem que você possui: você mesmo.
Stephen CoveyOs 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, 1989Covey coloca o sétimo hábito em volta de todos os outros, porque é ele que torna possível praticá-los. Proatividade, clareza de propósito, foco, negociação, escuta e cooperação exigem energia e lucidez. Um líder exausto volta ao modo reativo, decide por impulso e escuta mal.
Na empresa média brasileira, a dependência do dono costuma ser alta. Quando ele se esgota, a empresa sente: decisões atrasam, conflitos aumentam e oportunidades passam. Por isso este hábito não é um tema de bem-estar pessoal. É um tema de risco do negócio.
Se a empresa para quando o dono para, a energia do dono é um ativo que precisa de gestão.
Sono, exercício e alimentação. Parece óbvio, e é a primeira coisa sacrificada em períodos de pressão.
Ler, estudar, aprender coisas novas. Líderes que não renovam o repertório repetem as soluções que deram certo no passado.
Relações de confiança dentro e fora da empresa. Covey liga essa dimensão diretamente aos hábitos 4, 5 e 6.
No sentido amplo de Covey: valores, propósito, o que dá sentido ao trabalho. Pode ser reflexão, natureza, fé ou silêncio.
O raciocínio de Covey também vale para a empresa. Organizações precisam de renovação física (processos e infraestrutura), mental (capacitação), social (cultura e relacionamento) e espiritual (propósito). Empresas que só produzem e nunca investem em renovação desgastam-se como o serrote do lenhador.
Processos. Revisar periodicamente o que ficou obsoleto.
Capacitação. Investir em formação, inclusive em novas ferramentas como IA.
Cultura. Cuidar da relação entre áreas e da confiança interna.
Propósito. Relembrar ao time por que o trabalho importa.
A história do lenhador é simples porque o erro é simples: confundir esforço com resultado. No Brasil, onde a pressão sobre o empresário é constante, afinar o instrumento pode parecer um luxo. Covey mostra que é o contrário: é a condição para continuar cortando por muitos anos.
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