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Se você não sabe onde quer chegar, qualquer meta serve: o segundo hábito de Covey para empresas que crescem sem direção

Missão, visão e valores costumam estar num quadro na recepção. Ninguém consulta o quadro para tomar decisão. Covey propunha exatamente o contrário: definir o fim com tanta clareza que ele passe a orientar cada escolha do dia a dia.

Por Leandro Novis · C-Advisor

Comece com o fim em mente.

Stephen CoveyOs 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, 1989

Toda coisa é criada duas vezes

Covey baseia o segundo hábito numa ideia simples: tudo é criado duas vezes. Primeiro na mente, depois na realidade. Um prédio existe na planta antes de existir no terreno. Uma empresa existe num propósito e numa visão antes de existir no mercado. Quando a primeira criação é descuidada, a segunda acontece por acaso — moldada por clientes, concorrentes e urgências.

Muitas empresas médias brasileiras cresceram assim: aproveitando oportunidades, atendendo o que aparecia, entrando em mercados porque um cliente pediu. Funciona até certo ponto. Depois, a empresa fica grande e confusa, sem saber o que é e o que não é.

Crescimento sem direção é só aumento de tamanho.

Liderança e gestão

Covey distingue liderança de gestão. Gestão é subir a escada com eficiência. Liderança é verificar se a escada está encostada na parede certa. O segundo hábito é um hábito de liderança: antes de otimizar o caminho, decidir o destino.

Como tornar o fim útil para a gestão

01

Missão que exclui

Uma missão útil diz o que a empresa faz, para quem e por quê — e, por consequência, o que ela não faz.

  • Escreva para quem a empresa existe
  • Escreva qual problema resolve
  • Teste: essa frase ajuda a recusar um cliente errado?
Teste de utilidadeServe para dizer não
Erro comumFrases genéricas que servem para qualquer empresa
RevisãoA cada três anos
02

Visão com data e forma

Visão útil descreve como a empresa será num horizonte definido: tamanho, mercados, reputação, tipo de cliente.

  • Defina o horizonte: três ou cinco anos
  • Descreva receita, margem, segmentos e reputação desejados
  • Desdobre em marcos anuais
Teste de utilidadeO time consegue descrever o futuro
Erro comum“Ser referência no mercado” sem definição
RevisãoAnual
03

Valores que custam algo

Um valor só é real quando a empresa abre mão de algo para mantê-lo.

  • Liste três decisões difíceis tomadas por causa de um valor
  • Se não houver nenhuma, o valor ainda não é praticado
  • Use os valores em contratação e promoção
Teste de utilidadeJá custou dinheiro
Erro comumValores copiados de outras empresas
RevisãoQuando houver conflito

O fim em mente aplicado ao cliente

O hábito também serve no nível do projeto e da conta. Antes de iniciar um projeto, perguntar como ele será reconhecido como sucesso pelo cliente. Antes de abordar uma conta, definir qual relação se quer ter com ela em três anos. A conversa comercial muda quando o vendedor sabe qual é o fim.

Um roteiro para a diretoria

  1. Reserve um dia fora da rotina. Para discutir o fim, não o trimestre.
  2. Escreva a missão em uma frase que exclua. Para quem, qual problema, por quê.
  3. Descreva a empresa daqui a cinco anos. Com números e com reputação.
  4. Desdobre em metas anuais. Três a cinco por ano.
  5. Use o documento em toda grande decisão. Se não serve para decidir, reescreva.

Conclusão: a primeira criação define a segunda

Covey dizia que começar com o fim em mente é a base da liderança pessoal e organizacional. Para empresas que cresceram por oportunidade, esse hábito é a passagem de uma fase em que o mercado decide para uma fase em que a empresa escolhe. É menos trabalho do que parece, e muda tudo o que vem depois.

LN
Leandro Novis
CEO — C-Advisor
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