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Juros, câmbio e governo não estão na sua mão. Sua resposta, sim: o primeiro hábito de Covey para líderes que vivem culpando a economia

Ouça uma reunião de diretoria em qualquer empresa média brasileira e conte quantas vezes aparecem as palavras juros, governo, câmbio e crise. Agora conte quantas decisões saíram dessa reunião. Covey explicaria a diferença com um único conceito.

Por Leandro Novis · C-Advisor

Não sou produto das minhas circunstâncias. Sou produto das minhas decisões.

Stephen CoveyOs 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, 1989

O hábito que vem antes de todos os outros

Covey colocou a proatividade como primeiro hábito por um motivo: sem ela, os outros seis não acontecem. Ser proativo não é ser agitado ou tomar iniciativa a qualquer custo. É reconhecer que, entre o que acontece e a forma como reagimos, existe um espaço — e que nesse espaço está a nossa responsabilidade.

Covey brinca com a palavra em inglês: responsibility como response-ability, a habilidade de escolher a resposta. Pessoas e empresas reativas deixam que o ambiente escolha por elas.

Círculo de preocupação e círculo de influência

A ferramenta mais prática do hábito é a distinção entre dois círculos. No círculo de preocupação está tudo o que nos afeta. No círculo de influência, a parte disso sobre a qual podemos fazer algo.

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Círculo de preocupação. Selic, câmbio, reforma tributária, eleições, inadimplência do mercado, concorrente com mais caixa.

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Círculo de influência. Política de crédito da empresa, mix de clientes, estrutura de custos, prazo médio de recebimento, qualidade da proposta comercial.

Covey observa que pessoas reativas concentram energia no círculo de preocupação, e o círculo de influência encolhe. Pessoas proativas trabalham no de influência, e ele cresce.

Toda hora gasta discutindo a Selic é uma hora não gasta revendo o prazo de recebimento.

A linguagem denuncia o hábito

Covey chama atenção para a linguagem reativa. Em empresas, ela soa assim: “o mercado não está comprando”, “o cliente só quer preço”, “não temos como competir com eles”. A versão proativa da mesma situação é: “quais clientes ainda estão comprando e por quê?”, “que cliente valoriza algo além do preço?”, “em que nicho conseguimos vencer?”.

Levando a proatividade para a gestão

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Reuniões que terminam em decisão

Toda análise de cenário precisa terminar com a pergunta: diante disso, o que vamos fazer diferente?

  • Limite o tempo de análise do ambiente externo
  • Reserve a maior parte da reunião para decisões
  • Registre responsável e prazo de cada decisão
Sinal reativoReunião que só comenta o noticiário
MudançaPauta orientada por decisões
IndicadorDecisões por reunião
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Planos para cenários, não previsões

Ninguém controla a economia, mas é possível preparar respostas para cenários diferentes.

  • Desenhe três cenários simples para o ano
  • Defina gatilhos que indicam cada cenário
  • Prepare ações para cada um com antecedência
Sinal reativoPlanejamento refeito a cada notícia
MudançaGatilhos definidos previamente
IndicadorTempo de reação a mudanças
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Time que propõe, não que reclama

A proatividade da liderança se espalha quando o time é convidado a trazer soluções junto com os problemas.

  • Peça uma proposta junto com cada problema reportado
  • Reconheça publicamente iniciativas
  • Dê autonomia dentro de limites claros
Sinal reativoProblemas sempre escalados para o dono
MudançaAutonomia com responsabilidade
IndicadorProblemas resolvidos sem escalar

Proatividade não é otimismo ingênuo

Covey não pede que se ignore o ambiente. Juros altos encarecem capital e reduzem demanda; isso é real. O ponto é que reconhecer a realidade e agir sobre o que se controla produz resultado, enquanto lamentar a realidade apenas consome energia. A economia é a mesma para todos os concorrentes. A resposta não é.

Exercício para a próxima semana

  1. Liste as dez preocupações da diretoria. Tudo o que tem tirado o sono.
  2. Separe os dois círculos. O que é preocupação e o que é influência.
  3. Para cada preocupação, encontre uma ação de influência. Mesmo pequena.
  4. Escolha três ações para os próximos 30 dias. Com dono e prazo.

Conclusão: a resposta é a única coisa que é sua

O primeiro hábito de Covey é um lembrete simples e exigente: a empresa não escolhe o cenário, mas escolhe a resposta. Num país em que o cenário muda com frequência, essa escolha repetida todo dia é o que separa empresas que atravessam crises das que esperam elas passarem.

LN
Leandro Novis
CEO — C-Advisor
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