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Quem vende para todo mundo não é lembrado por ninguém: o STP de Kotler para empresas B2B que atiram para todos os lados

A empresa atende indústria, varejo, serviços e governo. O site fala com todos, o vendedor aborda qualquer um, a proposta serve para qualquer caso. O resultado é previsível: funil cheio, conversão baixa e nenhuma marca na cabeça do cliente.

Por Leandro Novis · C-Advisor

Marketing não é a arte de encontrar formas inteligentes de se livrar do que você produz. É a arte de criar valor genuíno para o cliente.

Philip KotlerKotler on Marketing, 1999

A base de tudo que Kotler ensina

Antes dos 4 Ps, antes de qualquer campanha, Kotler coloca uma sequência de três decisões que ficou conhecida como STP: segmentar o mercado, escolher os segmentos-alvo e posicionar a oferta na mente desses clientes. Pular essa etapa é o motivo mais comum de marketing caro e vendas difíceis.

No B2B brasileiro, o erro é especialmente frequente. Com receita apertada, a tentação é aceitar qualquer cliente que apareça. Cada cliente diferente puxa o produto para um lado, a operação vira uma colcha de exceções e a mensagem comercial fica genérica para caber em todos.

Escolher um público não é perder mercado. É parar de desperdiçar esforço onde você nunca vai ganhar.

Segmentar: dividir o mercado pelo que importa

Kotler lista critérios clássicos de segmentação. No B2B, os mais úteis costumam ser:

01

Setor e porte. Indústria de 200 funcionários tem necessidades diferentes de uma rede de varejo com 30 lojas.

02

Situação. Empresa em expansão, em crise, em sucessão familiar ou recém-adquirida compra por motivos diferentes.

03

Abordagem de compra. Centralizada ou descentralizada, por preço ou por relacionamento, com área de compras profissional ou decisão do dono.

04

Características pessoais do comprador. Aversão a risco, lealdade a fornecedores, nível técnico de quem decide.

Escolher: onde concentrar o esforço

01

Atratividade do segmento

Tamanho, crescimento e rentabilidade. Um segmento grande e disputado pode ser pior que um pequeno e mal atendido.

  • Estime o número de empresas e o ticket médio
  • Avalie o crescimento nos últimos anos
  • Observe a intensidade da concorrência
Pergunta-chaveVale a pena dominar esse segmento?
Fonte de dadosCRM, bases públicas, associações setoriais
Erro comumEscolher pelo tamanho apenas
02

Aderência à empresa

Um segmento atrativo só serve se a empresa tem competências e recursos para vencer nele.

  • Compare a taxa de conversão por segmento
  • Compare a margem e o custo de servir
  • Avalie se cases e referências existem
Pergunta-chaveTemos direito de vencer aqui?
Fonte de dadosHistórico de vendas e perdas
Erro comumEscolher pelo entusiasmo do dono
03

Estratégia de cobertura

Kotler descreve opções que vão do marketing indiferenciado ao concentrado. Para empresas médias, a concentração em poucos segmentos costuma ser a mais eficaz.

  • Escolha um segmento principal e no máximo dois secundários
  • Adapte proposta e discurso para cada um
  • Diga não a oportunidades fora deles
Pergunta-chaveQuantos segmentos conseguimos atender bem?
Fonte de dadosCapacidade comercial e operacional
Erro comumFocar no papel e aceitar tudo na prática

Posicionar: ocupar um lugar na cabeça do cliente

Posicionamento, para Kotler, é o ato de desenhar a oferta e a imagem da empresa para ocupar um lugar distinto na mente do público-alvo. Em termos práticos, é a resposta a uma pergunta: quando esse cliente pensar em resolver esse problema, por que deveria lembrar de nós?

Uma boa declaração de posicionamento tem quatro partes: para quem, qual necessidade, qual categoria e qual diferença. Se ela pudesse ser assinada pelo concorrente sem mudar uma palavra, ainda não é posicionamento.

Um roteiro de quatro semanas

  1. Analise a carteira atual por segmento. Receita, margem, conversão e tempo de ciclo de cada grupo.
  2. Escolha o segmento principal. Com base em atratividade e aderência, não em preferência.
  3. Escreva o posicionamento. Uma frase com público, necessidade, categoria e diferença.
  4. Ajuste site, proposta e abordagem. Tudo deve falar a língua do segmento escolhido.
  5. Defina critérios de qualificação. O vendedor precisa saber, na primeira conversa, se o cliente está dentro ou fora.

Conclusão: foco é o primeiro investimento em marketing

Kotler lembrava que marketing começa muito antes da comunicação. Começa na escolha de quem servir. Para a empresa B2B brasileira que sente que trabalha muito para vender pouco, a resposta raramente está em mais campanha. Está em escolher melhor o cliente e falar com ele como ninguém fala.

LN
Leandro Novis
CEO — C-Advisor
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