← Séries Especiais Séries Especiais · Kaplan & Norton

O que você mede é o que você obtém: o Balanced Scorecard de Kaplan e Norton para empresas que só olham o DRE

Na reunião mensal, a diretoria olha receita, margem e caixa. Quando os números pioram, já é tarde: o problema começou meses antes, no cliente, no processo ou nas pessoas. Kaplan e Norton criaram o Balanced Scorecard para enxergar o problema enquanto ainda dá tempo.

Por Leandro Novis · C-Advisor

O que você mede é o que você obtém.

Robert Kaplan e David Norton“The Balanced Scorecard — Measures That Drive Performance”, Harvard Business Review, 1992

O limite dos indicadores financeiros

No início dos anos 1990, Kaplan, professor de Harvard, e Norton, consultor, estudaram empresas que usavam apenas indicadores financeiros para gerir. A conclusão foi que esses indicadores contam o passado. Mostram o resultado de decisões já tomadas, mas não indicam se a empresa está construindo a capacidade de gerar resultado no futuro.

A proposta deles foi equilibrar o painel de gestão com quatro perspectivas. Daí o nome: um scorecard balanceado.

O DRE é o retrovisor da empresa. Ninguém dirige olhando só para ele.

As quatro perspectivas

01

Financeira. Como os sócios enxergam a empresa? Receita, margem, geração de caixa, retorno sobre o capital.

02

Clientes. Como os clientes nos enxergam? Participação, retenção, satisfação, rentabilidade por cliente.

03

Processos internos. Em que precisamos ser excelentes? Prazo, qualidade, custo, inovação, eficiência comercial.

04

Aprendizado e crescimento. Como continuamos melhorando? Competências, sistemas, cultura e engajamento.

Montando o scorecard de uma empresa média

01

Comece pela estratégia, não pelos indicadores

O erro mais comum é listar todos os indicadores disponíveis. Kaplan e Norton insistem que o scorecard traduz a estratégia; se a estratégia não está clara, o painel vira inventário de números.

  • Escreva a estratégia em poucas frases
  • Para cada perspectiva, defina dois ou três objetivos
  • Só depois escolha os indicadores
Quantidade idealQuinze a vinte indicadores no total
Erro comumPainel com dezenas de números
ResponsávelDiretoria
02

Combine indicadores de resultado e de tendência

Indicadores de resultado mostram o que aconteceu; os de tendência mostram o que deve acontecer. Um scorecard útil tem os dois.

  • Receita é resultado; propostas qualificadas é tendência
  • Cancelamento é resultado; satisfação na implantação é tendência
  • Para cada resultado, procure um indicador que o antecipe
Quantidade idealAo menos um de tendência por objetivo
Erro comumSó indicadores de resultado
ResponsávelGestores de área
03

Defina metas e iniciativas

Cada indicador precisa de uma meta e de iniciativas que expliquem como a meta será atingida.

  • Defina metas anuais e trimestrais
  • Associe cada meta a uma ou duas iniciativas
  • Elimine iniciativas que não movem nenhum indicador
Quantidade idealPoucas iniciativas por objetivo
Erro comumIniciativas sem indicador
ResponsávelDonos de objetivo
04

Revise com frequência

O scorecard só funciona se for usado nas reuniões de gestão para tomar decisões.

  • Revisão mensal com a diretoria
  • Foco nos desvios, não na leitura dos números
  • Registro das decisões tomadas
Quantidade idealReunião de uma a duas horas
Erro comumPainel bonito e nunca discutido
ResponsávelCEO

Um exemplo simples para uma empresa de serviços B2B

Financeira: margem de contribuição por cliente. Clientes: taxa de renovação. Processos: prazo médio de implantação. Aprendizado: percentual do time certificado nos processos críticos. Quatro indicadores, conectados entre si, já dão à diretoria uma visão muito mais completa do que o DRE sozinho.

Implantação em 60 dias

  1. Alinhe a estratégia. Uma página que todos os diretores assinam.
  2. Defina objetivos por perspectiva. Dois ou três em cada.
  3. Escolha indicadores e metas. Com fonte de dados definida.
  4. Monte um painel simples. Planilha ou ferramenta de BI, atualizada automaticamente se possível.
  5. Comece as revisões mensais. E ajuste o painel nas primeiras rodadas.

Conclusão: medir é escolher

A frase que abre o artigo original de Kaplan e Norton é um aviso: as pessoas trabalham para os indicadores que são acompanhados. Se a empresa só mede lucro do mês, ela vai otimizar o mês. O Balanced Scorecard é uma forma de medir também o que constrói o futuro, e assim fazer com que o futuro também receba atenção.

LN
Leandro Novis
CEO — C-Advisor
Diagnóstico Rápido

Uma leitura precisa dos seus desafios, antes de qualquer proposta.

Consulta executiva sem custo para mapear os gargalos que limitam o crescimento da sua empresa e avaliar, em conjunto, um possível plano de atuação.

Solicitar Diagnóstico
Fale conosco no WhatsApp