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Você sabe quanto custa atender cada cliente? O custeio baseado em tempo de Kaplan para descobrir quem paga e quem consome sua margem

A empresa sabe a receita de cada cliente. Raramente sabe quanto custa atendê-lo. Robert Kaplan, um dos criadores do Balanced Scorecard, passou décadas mostrando que essa lacuna esconde clientes que destroem lucro enquanto parecem os melhores da carteira.

Por Leandro Novis · C-Advisor

Muitos clientes que parecem lucrativos pela receita são, na verdade, os que mais consomem os recursos da empresa.

Robert Kaplan e Steven Andersonsíntese de “Time-Driven Activity-Based Costing”, Harvard Business Review, 2004

O custo médio esconde as diferenças

Antes do Balanced Scorecard, Kaplan já era conhecido pelo custeio baseado em atividades, que distribui custos indiretos pelas atividades que realmente os consomem. O método original era trabalhoso e caiu em desuso em muitas empresas. Em 2004, com Steven Anderson, Kaplan propôs uma versão simplificada: o custeio baseado em atividades e tempo.

A ideia é direta. Em vez de entrevistar todo mundo sobre como gasta o dia, a empresa estima apenas duas coisas: quanto custa uma hora de cada recurso e quanto tempo cada atividade consome. Com isso, calcula quanto custa cada pedido, cada produto e cada cliente.

Dois clientes com a mesma receita podem ter margens opostas. O custo médio esconde exatamente essa diferença.

Onde o custo de servir se esconde no B2B

01

Pedidos pequenos e frequentes. Cada pedido consome processamento, expedição e faturamento, independentemente do valor.

02

Customizações. Ajustes especiais exigem horas de engenharia, suporte e gestão que raramente são cobradas.

03

Suporte intensivo. Clientes que demandam atendimento constante consomem a equipe mais cara.

04

Prazos e condições especiais. Prazo estendido de pagamento é custo financeiro direto, especialmente com juros altos.

Como aplicar de forma simples

01

Calcule o custo por hora dos recursos

Some o custo de cada departamento e divida pelas horas efetivamente disponíveis.

  • Use a folha e as despesas de cada área
  • Considere de 80% a 85% das horas como produtivas
  • Chegue a um custo por hora de cada recurso
FonteDRE e folha de pagamento
TempoUma semana
Precisão necessáriaAproximada
02

Estime o tempo de cada atividade

Para as atividades principais, estime quanto tempo cada uma consome por evento.

  • Liste atividades como processar pedido, implantar, atender chamado
  • Estime minutos por evento com os responsáveis
  • Inclua variações, como pedido urgente ou customizado
FonteGestores e sistemas
TempoDuas semanas
Precisão necessáriaOrdem de grandeza
03

Calcule o custo de servir por cliente

Multiplique o número de eventos de cada cliente pelo tempo e pelo custo por hora. Some ao custo direto do que foi vendido.

  • Extraia volumes de pedidos, chamados e customizações por cliente
  • Calcule o custo total de servir
  • Compare com a receita e chegue à margem por cliente
FonteERP e CRM
TempoUma semana
Precisão necessáriaSuficiente para ranquear

A curva que costuma surpreender

Quando a empresa ordena os clientes por lucro, aparece um padrão que Kaplan descreveu muitas vezes: uma parte dos clientes gera mais de cem por cento do lucro, e outra parte destrói uma fração relevante dele. Os clientes que destroem lucro nem sempre são pequenos; com frequência, são grandes contas com exigências especiais.

O que fazer com o resultado

  1. Não descarte clientes de imediato. Primeiro, entenda por que custam caro.
  2. Reprecifique serviços especiais. Customização, urgência e prazo estendido têm preço.
  3. Mude o modelo de atendimento. Clientes pequenos por canais de menor custo.
  4. Melhore processos internos. Às vezes o custo alto é ineficiência da empresa, não do cliente.
  5. Use a margem por cliente na estratégia comercial. Priorize segmentos que geram lucro, não só receita.

Conclusão: receita é vaidade, margem por cliente é gestão

O trabalho de Kaplan sobre custos complementa o Balanced Scorecard: não adianta acompanhar a estratégia se a empresa não sabe onde ganha e onde perde dinheiro. Para empresas médias brasileiras, pressionadas por custo financeiro alto, calcular o custo de servir cada cliente pode revelar a margem que estava escondida dentro da própria carteira.

LN
Leandro Novis
CEO — C-Advisor
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