A pauta da reunião de diretoria começa com a estratégia e termina com o atraso de um cliente, a falta de um insumo e a discussão de uma contratação. Na reunião seguinte, a estratégia nem entra. Kaplan e Norton descreveram esse padrão e propuseram uma saída.
Por Leandro Novis · C-Advisor
Estratégia e operação precisam de reuniões diferentes, com ritmos diferentes, ligadas por um mesmo sistema.
Robert Kaplan e David Nortonsíntese de The Execution Premium, 2008Em The Execution Premium, Kaplan e Norton descrevem um sistema de gestão em seis etapas: desenvolver a estratégia, traduzi-la, alinhar a organização, planejar as operações, monitorar e aprender, e testar e adaptar a estratégia. O ciclo é fechado porque o que se aprende na execução volta para revisar a estratégia.
Um dos pontos mais práticos do livro é a separação de reuniões. Quando estratégia e operação disputam a mesma pauta, a operação vence sempre, porque é mais urgente. A estratégia vai sendo adiada até virar documento esquecido.
Urgente e estratégico nunca devem disputar a mesma hora da agenda. O urgente sempre ganha.
Foco em problemas de curto prazo: vendas da semana, entregas, qualidade, caixa. Frequência alta e duração curta.
Foco na execução da estratégia: os objetivos do mapa estão evoluindo? As iniciativas estão andando?
Foco em questionar a própria estratégia: as hipóteses continuam válidas? O ambiente mudou?
Outro ponto central do livro é o orçamento. Kaplan e Norton recomendam separar recursos para iniciativas estratégicas do orçamento operacional. Quando tudo está no mesmo orçamento, os cortes de crise sempre atingem primeiro o que é estratégico, porque não traz resultado imediato.
Orçamento operacional. Mantém a empresa funcionando e melhorando de forma incremental.
Orçamento estratégico. Financia as iniciativas que constroem a posição futura, com governança própria.
Empresas médias brasileiras não precisam de um escritório de gestão estratégica. Precisam de disciplina de agenda. Três reuniões com propósitos diferentes, um painel simples e uma linha separada no orçamento já colocam o ciclo para funcionar.
Kaplan e Norton mostram que executar estratégia não é questão de esforço, mas de sistema. Sem reuniões e recursos protegidos, a urgência sempre vence. Com o ciclo fechado, a empresa cuida do presente sem abandonar o futuro e aprende com a própria execução.
Consulta executiva sem custo para mapear os gargalos que limitam o crescimento da sua empresa e avaliar, em conjunto, um possível plano de atuação.
Solicitar Diagnóstico