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Sua estratégia cabe em uma página? Os mapas estratégicos de Kaplan e Norton para mostrar ao time como cada área gera resultado

Pergunte a cinco gerentes qual é a estratégia da empresa e você ouvirá cinco respostas diferentes — ou nenhuma. Kaplan e Norton perceberam que o problema não era falta de estratégia, mas falta de uma forma de descrevê-la que todos entendessem.

Por Leandro Novis · C-Advisor

Você não pode gerenciar o que não pode medir, e não pode medir o que não pode descrever.

Robert Kaplan e David NortonStrategy Maps, 2004

Da lista de indicadores à história da estratégia

Depois de anos implantando o Balanced Scorecard, Kaplan e Norton notaram que as empresas mais bem-sucedidas não tinham apenas indicadores nas quatro perspectivas. Elas mostravam como uma perspectiva alimentava a outra. Daí nasceu o mapa estratégico: um diagrama de uma página que conta, em relações de causa e efeito, como a empresa pretende criar valor.

A lógica vai de baixo para cima. Pessoas capacitadas e sistemas adequados permitem processos excelentes. Processos excelentes geram a proposta de valor que o cliente quer. Clientes satisfeitos e fiéis geram o resultado financeiro.

Se a estratégia não pode ser desenhada, ela provavelmente ainda não foi pensada até o fim.

As quatro camadas do mapa

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Financeira, no topo. Normalmente duas rotas: crescimento de receita e produtividade. A estratégia define o peso de cada uma.

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Clientes. A proposta de valor: preço, qualidade, prazo, relacionamento, marca. Não dá para ser o melhor em tudo.

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Processos internos. Os processos que entregam a proposta de valor: gestão de operações, gestão de clientes, inovação e processos regulatórios e sociais.

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Aprendizado e crescimento, na base. Capital humano, capital da informação e capital organizacional que sustentam os processos.

Desenhando o mapa de uma empresa média

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Escolha a proposta de valor

Kaplan e Norton identificam padrões típicos: menor custo total, liderança de produto, soluções completas para o cliente. Cada um exige processos diferentes.

  • Decida qual proposta de valor a empresa quer liderar
  • Escreva o que o cliente deve dizer sobre vocês
  • Identifique o que a empresa vai fazer apenas de forma adequada
Pergunta-chavePelo que o cliente nos escolhe?
Erro comumQuerer ser o mais barato e o mais completo
SaídaUma proposta de valor dominante
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Identifique os processos críticos

Entre dezenas de processos, poucos realmente sustentam a proposta de valor. São esses que entram no mapa.

  • Liste os processos que mais afetam a percepção do cliente
  • Escolha de quatro a seis
  • Defina o objetivo de excelência para cada um
Pergunta-chaveEm que precisamos ser excepcionais?
Erro comumIncluir todos os processos
SaídaProcessos com dono e meta
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Conecte com as capacidades

Para cada processo crítico, quais competências, sistemas e cultura são necessários?

  • Mapeie as competências que faltam
  • Identifique sistemas que precisam evoluir
  • Defina ações de desenvolvimento
Pergunta-chaveO que precisamos ter para executar bem?
Erro comumTreinamento genérico sem ligação com a estratégia
SaídaPlano de capacitação estratégico
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Teste as setas

Cada seta do mapa é uma hipótese. Se a empresa melhorar o processo, o cliente percebe? Se o cliente percebe, o resultado melhora?

  • Escolha indicadores para cada objetivo
  • Acompanhe se a relação de causa e efeito se confirma
  • Ajuste o mapa quando uma hipótese falhar
Pergunta-chaveA lógica está se confirmando nos números?
Erro comumTratar o mapa como verdade, não como hipótese
SaídaEstratégia que aprende

O mapa como ferramenta de comunicação

O maior benefício prático do mapa estratégico na empresa média é a comunicação. Um vendedor entende que o processo de implantação afeta a renovação. Um analista financeiro entende por que a empresa está investindo em capacitação. Cada pessoa consegue localizar o próprio trabalho na história.

Um roteiro de quatro encontros

  1. Primeiro encontro: o topo. Definir a rota financeira e a proposta de valor.
  2. Segundo encontro: os processos. Escolher os processos críticos.
  3. Terceiro encontro: as capacidades. Definir o que precisa ser desenvolvido.
  4. Quarto encontro: indicadores e comunicação. Fechar o scorecard e apresentar o mapa à empresa.

Conclusão: uma página que alinha a empresa

O mapa estratégico transforma a estratégia de um documento longo em uma imagem que todos entendem. Para empresas médias brasileiras, em que o time costuma executar sem saber exatamente por quê, essa página pode ser o instrumento de alinhamento mais barato e eficaz disponível.

LN
Leandro Novis
CEO — C-Advisor
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